quinta-feira, 16 de junho de 2011

Wikidemocracia, a reforma política

PEDRO VIEIRA ABRAMOVAY

O que parecia ser algo apenas utópico pode se tornar real se soubermos aproveitar as inovações tecnológicas para a verdadeira reforma política


As praças espanholas estão lotadas de jovens protestando contra o sistema político. É claro que o desemprego causado pela crise econômica é um fator importante para essa mobilização. Mas o grande diferencial é que os jovens não pedem apenas por mais emprego.
Pedem por mais democracia. Pedem para que a política se transforme a partir da internet.
Debater a política a partir da internet não tem nada a ver com políticos criando blogs. Mas, seja no Egito, na Espanha ou em Higienópolis, as manifestações recentes nos mostram a força de mobilização contida nas redes sociais.
O jurista americano Yochai Benkler mostrou ao mundo que a riqueza da rede está justamente na possibilidade de criar inovações coletivamente. Não é à toa que a principal enciclopédia do mundo é feita a partir de uma construção colaborativa: a Wikipédia.
É chegada a hora de pensarmos em uma wikidemocracia.
O Ministério da Justiça, por exemplo, elaborou um projeto de lei para definir direitos dos cidadãos na internet, a partir de uma discussão inteiramente colaborativa, feita na rede.
Pela primeira vez pôde-se acompanhar os argumentos e negociações da confecção de um projeto de lei de forma pública e transparente, além de a participação ter contado com atores que nunca poderiam fazer seus argumentos chegarem ao debate. Essa é uma das possibilidades que uma profunda reforma da política pode nos apresentar.
Para dar início a uma transformação que consiga dar vazão às mobilizações políticas presentes nas redes sociais e aproveitar a força criativa aí existente na elaboração das políticas públicas há uma agenda delineada -e sempre aberta a ser reconstruída de forma pública. Essa agenda passa por quatro pontos, descritos a seguir.
1 - Amplo acesso a informações. Para que os diálogos públicos possam acontecer sem assimetrias é fundamental que as informações sob guarda do Estado sejam amplamente publicizadas, de forma a gerar não só controle sobre ação estatal, mas também criar o terreno para que ideias inovadoras apareçam. Para isso, é fundamental a aprovação do PLC nº 41/2010, projeto de lei que obriga o governo a divulgar ativamente seus dados.
2 - Acesso ao conhecimento. Não é possível construir espaço de debate público se não se promover uma revolução no acesso ao conhecimento; é fundamental debater limites ao direito autoral e às normas de propriedade intelectual.
3 - Proteção da privacidade. Em uma época em que os dados pessoais podem se tornar públicos com a violência que vemos hoje, é fundamental uma legislação moderna sobre proteção à privacidade. Há hoje um projeto de proteção de dados pessoais que o Ministério da Justiça debate com a sociedade; é fundamental sua aprovação.
4 - Ampliação dos espaços de construção colaborativa de políticas públicas. O projeto de lei sobre a internet é um bom exemplo, mas iniciativas assim devem ser multiplicadas. É possível criar uma cultura de debate público entre os cidadãos e entre eles e os governos, que possa realmente ser aberto a novas ideias, sendo também público e conectado com a mobilização da sociedade civil.
A geração que hoje está no poder foi politicamente forjada na lógica do conflito: não havia adversários, mas inimigos. A geração que se formou politicamente na vigência da Constituição cidadã deve construir uma política a partir do diálogo.
Um diálogo que não ignore os conflitos reais de opinião e de visão de mundo e que inclua a pluralismo como um valor central.
O que parecia ser algo apenas utópico pode se tornar real se soubermos aproveitar as inovações tecnológicas para pensarmos em uma verdadeira reforma política.

PEDRO VIEIRA ABRAMOVAY é advogado e professor da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Fonte: Folha de São Paulo, “Tendências e debates”, 15/06/2011.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Polêmica "nós pega os peixe" II

Segue link para trecho do livro de Heloísa Ramos, Para viver melhor.
Leiam e comprovem:
http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Polêmica "nós pega o peixe".

Olha, pra falar sobre isso com mais propriedade, precisaria, pelo menos, dar uma vista d'olhos no livro de Heloísa Ramos. No entanto, emitirei algumas opiniões.
Parece-me, mais uma vez, "muito barulho por nada"; mais estratagema político para falar mal do PNLD e do MEC, do que uma preocupação e uma discussão genuína sobre como a língua deve ser apresentada às crianças.
Não conheço o livro "Para viver melhor" em detalhes, mas não é a primeira vez que um livro mostra às crianças os vários níveis de linguagem. Mario Bagno, só pra citar um exemplo, tem seu "A língua de Eulália" adotado há anos em escolas. E o livro é maravilhoso.
Antes de sair dizendo frases como a do autor Luiz Antonio Aguiar, "Está valendo tudo. Mais uma vez, no lugar de ensinar, vão rebaixar tudo à ignorância", é preciso ler com cuidado como o livro contextualiza frases como "nós pega os peixe". É fato que na linguagem mais cotidiana TODOS, repito, TODOS, fazem algum tipo de dita "incorreção". Eu não declino alguns plurais quando estou animada, conversando entre amigos, informalmente. Minha família é da Mooca, italianos, passei a infância no Tatuapé e, confesso, falo como os imigrantes italianos, sem declinar os plurais nos substantivos, apenas nos artigos. Sim, quando estou tomando umas "cerveja" com os "amigo", sentada nas "cadeira" do boteco, comendo uns "petisco", é assim que eu, revisora e preparadora, falo.
Sendo assim, qual o problema de se apresentar as crianças as diferentes formas do falar, as diferentes formas em que a língua se manifesta? Não concordo quando afirmam que "Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito". Livros são meios de informação, de todo e qualquer tipo, sobre o mundo, a vida. É tendo contato com a diversidade que o aluno vai apurar seu senso crítico, encontrar sua forma própria de se manifestar linguisticamente, escolher o tipo de literatura que fala mais ao seu coração e apurar o gosto ali, onde se sente bem, onde se sente mobilizado.
Acho muito corajosa a escolha dos responsáveis pela seleção do livro. Duvido que tenham sido irresponsáveis. A própria autora afirmou que não tem intenção de ensinar errado, "mas deixar claro que cada linguagem é adequada para uma situação. Por exemplo, na hora de estar com os colegas, o estudante fala como prefere, mas quando vai fazer uma apresentação, ele precisa falar com mais formalidade. Só que esse domínio não se dá do dia para a noite, então a escola tem que ter currículo que ensine de forma gradual".
Vale ressaltar, ainda, que o livro foi comprado para Educação de Jovens e Adultos. Os críticos já pararam para pensar quem é o público de EJA? É preciso aproximar o livro e a língua culta de maneira cuidadosa para não desestimular o aluno, principalmente esse público. Nada melhor que usar termos de adequado e inadequado, como sugere Heloísa Ramos, e não de certo e errado.
A norma culta é arbitrária, não é “natural” ou a “verdadeira”; é uma convenção histórica e que, graças a Oxalá, se atualiza também, também sofre influência dos padrões informais, da língua falada, cotidiana. Então, “deixemos de coisas e cuidemos da vida”. Vamos fazer esse país ler! Ler errado, ler certo, ler Crepúsculo, ler Machado. O caminho para formar cidadãos é a informação, ler é informar-se, ler sem preconceitos é ampliar horizontes.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Site oficial da Palimpsestos no ar!

Estamos comemorando a colocação no ar do site oficial da Palimpsestos. Está lindo! Passem por lá:
http://www.palimpsestos.com.br

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Indústria Cultural no Século XXI - Videos

Vamos postar aqui os vídeos das palestra que ajudamos a produzir no segundo semestre de 2010. Para quem perdeu e para quem quer relembrar.
Os vídeos estarão disponíveis também na nossa página no Facebook: http://www.facebook.com/#!/pages/Palimpsestos_Servicos-Editoriais/125543214184600

Robert Kurz:


Wisnik1:

Wisnik2:

Wisnik3:


Cohn1:

Cohn2:


Luiz Costa Lima:


Vladimir Safatle:



Venicio Lima1:

Venicio Lima2:


García-Canclini1:

García-Canclini2:


Ismail Xavier:

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Trabalhos em andamento

Editora Unesp:
- revisão de primeira prova para Projeto Edição de Textos de Docentes e Pós-Graduandos da Unesp.
Revista de Estudos Avançados:
- preparação de artigos sobre polinizadores para futura publicação em número especial.

sábado, 4 de setembro de 2010

Alguns trabalhos finalizados

Editora Berlendis:
- Preparação de Antologia do vampiro literário;
- Adequação ao novo acordo ortográfico dos livros Pai patrão, de Gavino Ledda (http://www.berlendis.com/product.aspx?product=40&category=24), e
Mar cor de vinho, de Leonardo Sciascia (http://www.berlendis.com/product.aspx?product=53&category=24).
- Produção executiva dos seminários Indústria Cultural no Século XXI; evento patrocinado por MinC/Fapex/Petrobras, curadoria de Ricardo Musse em parceria com Escola da Cidade. 
Os textos e vídeos das palestras estarão disponíveis em: